A história começa no dia 18 de janeiro de 1996, poucos dias depois de eu entrar para o Consórcio União. Eu estava iniciando uma nova carreira e, como todo iniciante, estava animado e um pouco ansioso. Minha rotina era simples: prospectar clientes porta a porta ou sentar numa mesa com outros três vendedores e revezar as ligações de prospecção para os clientes em um único telefone fixo — na época, telefone era muito caro, então essa era a nossa ferramenta mais valiosa.
Naquele dia, por volta das 15h, decidi ligar para uma amiga muito querida, a dona Tânia Grandinetti. Eu já a conhecia por tentar vender um imóvel dela antes de entrar no mundo dos consórcios. Quando ela atendeu, eu mal comecei a falar e explicar minha nova ocupação:
— Dona Tânia, aqui é o Jucelio. Não estou mais trabalhando como corretor, agora estou no Consórcio União…
Antes que eu pudesse terminar a frase, ela me interrompeu com uma convicção que me pegou de surpresa:
— Jucelio, vem aqui agora. Eu vou fazer um consórcio com você.
Eu fiquei sem reação. Como assim? Ela nem sabia qual era o produto, o valor, nada. Eu estava com o contrato na mão, mas não sabia por onde começar. Sem entender, liguei para o Rogério, um amigo e mentor que estava me ajudando a dar os primeiros passos:
— Rogério, o que eu faço agora? — perguntei.
— Jucelio, pega a caneta, o contrato e a tabela. Vamos até ela que eu vou com você — ele me respondeu com a tranquilidade de quem já dominava o assunto.
Chegamos à casa da dona Tânia, em Londrina. Ela nos recebeu com o mesmo carinho e simpatia de sempre. A primeira coisa que eu fiz foi perguntar:
— Dona Tânia, eu não entendi. Eu liguei para a senhora e falei que estava no consórcio e antes de qualquer explicação, a senhora já disse que ia fazer um consórcio comigo. Por quê?
A resposta dela me deixou ainda mais admirado e reforçou minha fé:
— Jucelio, quando você ligou, eu estava de joelhos, conversando com Deus. Ele me falou que ia me dar uma coisa nova, mas eu não sabia o que era. Naquele exato momento, o telefone tocou e era você, falando de consórcio. Foi aí que entendi que o algo novo que Deus ia me dar era a contemplação desse consórcio.
Ela me perguntou se o consórcio era por sorteio. Eu confirmei, mas também mencionei a possibilidade de dar lances. A resposta dela foi categórica:
— Não preciso pôr nenhum tostão. Se Deus falou que vai me dar algo novo, eu vou tirar no sorteio no primeiro mês.
Eu não duvidei. Conhecia a fé dela e entendi que aquilo era um propósito maior. Fizemos o consórcio de um Uno zero, que na época custava R$ 9.990,00, valor do crédito adquirido. Tenho a cópia desse contrato guardada até hoje, como um tesouro. Afinal, foi a minha primeira venda.
A assembleia foi marcada para o dia 6 de fevereiro de 1996, em uma sexta-feira à noite. As assembleias eram feitas por sorteio em um globo manual. Eu estava lá, ansioso, mas com a certeza da fé da dona Tânia.
E a fé dela, combinada com a promessa de Deus, se cumpriu. A carta de crédito foi contemplada no primeiro mês do sorteio!
Fui correndo até a casa dela naquela noite para dar a notícia. Ela tinha feito o consórcio e no seu coração estava pensando no filho, nora e netos, que haviam vendido o carro para comprar a casa e estavam a pé. A contemplação foi um presente, uma bênção de Deus para eles.
No dia seguinte, sábado de manhã, eles foram até a concessionária. Ao invés do Uno, optaram por um veículo Fiat Tipo 95 seminovo, um carro muito bonito, e saíram de lá extremamente felizes.
Essa foi a minha primeira venda. Mais do que uma transação comercial, foi uma lição de vida e de fé.
Nessa venda tive a certeza da decisão que havia tomado ao pedir demissão da empresa anterior, depois de quase 10 anos trabalhando na área de RH e Departamento Pessoal, chegando até ao cargo de gerência. Muitos me chamaram de louco por deixar a estabilidade e começar do zero em um novo desafio.
Mas, na realidade, aquela venda foi a resposta de uma oração e a confirmação do propósito de Deus para minha vida.
Foi a prova de que, quando o nosso trabalho se alinha a um propósito, grandes coisas podem acontecer.